domingo, 26 de dezembro de 2010

Dentro de mim

Dentro de mim. É bom poder deixar a mente vaguear. Percorrer caminhos proibidos, infringir leis e limites de velocidade, entrar em casas alheias, subir ao ponto mais alto, rasgar as roupas que me incomodam, gritar com o coraçao, sentir a liberdade, nao ouvir a consciencia. E sentir-te. Dentro de mim eu permito que isso aconteça, e por breves instantes tu voltas e eu consigo revelar-te o que nunca tive coragem para deixar sair. E dentro de mim sinto o sangue a percorrer o meu corpo, oiço os meus batimentos na barriga, as minhas pernas parecem feitas de papel. Consigo levantar a minha mao e levá-la de encontro à tua face. Dentro de mim tu ainda és real. Dentro de mim eu posso retroceder e reinventar a história, tomar outras decisoes, e corrigir os meus erros. Dentro de mim tudo fica fácil por uns instantes. Mas também é dentro de mim que se instala uma dor que penetra no meu peito incessantemente, e que nao me deixa respirar. E é dentro de mim que ela fica e me acompanha todos os dias.
É dentro de mim que existem dois mundos: o meu e o nosso.


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